Flávio José
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O meu país

A Brazilian singer-songwriter's sharp, unflinching portrait of a nation in decline.

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Editor's note

Flávio José's 'O meu país' and its quiet protest

A Brazilian singer-songwriter's sharp, unflinching portrait of a nation in decline.

Mas não é, com certeza, o meu país.

Flávio José released 'O meu país' as part of his extensive catalog, which includes over 30 albums since his breakthrough in the late 1980s. The song builds its indictment through a series of verses, each ending with the same blunt refusal: 'Mas não é, com certeza, o meu país.' It's a direct, almost weary catalog of failures, from violence and corruption to cultural decay.

The repeated phrase 'bico calado, faz de conta que sou mudo' frames the whole thing. He's watching everything, but playing mute. That tension between seeing and staying silent gives the list its quiet anger, without ever raising its voice.

That line lands because it's so absolute. After each litany of problems, he doesn't offer a solution or a hope. He just says this place isn't his. It's a personal disowning, not a political platform.

This isn't a call to arms. It's a flat rejection, delivered with the certainty of someone who's done arguing. The power is in that repeated 'não é o meu país', it draws a line, clean and final.

The way 'bico calado' sits in the refrain. It's a colloquial, grounded phrase that carries the weight of the whole song.

edit_note Ethan Walker · Hiper Musicas team
Lyric sheet

O meu país

Refrão: Tô vendo tudo,

tô vendo tudo Mas,

bico calado,

faz de conta que sou mudo Um país que crianças elimina Que não ouve o clamor dos esquecidos Onde nunca os humildes são ouvidos E uma elite sem Deus é quem domina Que permite um estupro em cada esquina E a certeza da dúvida infeliz Onde quem tem razão baixa a cerviz E massacram-se o negro e a mulher Pode ser o país de quem quiser Mas não é,

com certeza,

o meu país.

Refrão Um país onde as leis são descartáveis Por ausência de códigos corretos Com quarenta milhões de analfabetos E maior multidão de miseráveis Um país onde os homens confiáveis Não têm voz,

não têm vez,

nem diretriz Mas corruptos têm voz e vez e bis E o respaldo de estímulo incomum Pode ser o país de qualquer um Mas não é,

com certeza,

o meu país.

Refrão Um país que perdeu a identidade Sepultou o idioma português E aprendeu a falar pornofonês Aderindo à total vulgaridade Um país que não tem capacidade De saber o que pensa e o que diz Que não pode esconder a cicatriz De um povo de bem que vive mal Pode ser o país do Carnaval Mas não é,

com certeza,

o meu país.

Refrão Um país que seus índios discrimina E a ciência e as artes não respeita Um país que ainda morre de maleita Por atraso geral da medicina Um país onde escola não ensina E hospital não dispõe de raio-x Onde a gente dos morros é feliz Se tem água de chuva e luz do sol Pode ser o país do futebol Mas não é,

com certeza,

o meu país.

Refrão Um país que dizima a sua flora Festejando o avanço do deserto Pois não salva o riacho descoberto Que no leito precário se estertora Um país que cantou e hoje chora Pelo bico do último concriz Que florestas destrói pela raiz E a grileiros de fora entrega o chão Pode ser que ainda seja uma nação Mas não é com certeza o meu país.